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Seu vocabulário é Versátil ou Engessado?

 

Definição de Vocabulário

Que significa “saber vocabulário”?

Assim como não é a quantidade de cores que determina a beleza de uma obra de arte, não é o número de palavras que influencia diretamente o nosso poder de comunicação.

Embora pareça natural ao leigo relacionar domínio sobre uma língua com quantidade de vocabulário, não existe no âmbito da lingüística aplicada teoria equacionando habilidade em línguas com conhecimento de vocabulário. Nem habilidade nem conhecimento teórico em língua estrangeira podem ser medidos pelo número de palavras que a pessoa “sabe”.

investigar o significado

Devemos investigar o significado de “saber”, de “ter” ou de “conhecer” vocabulário. Saber uma palavra significaria apenas reconhecê-la quando a vemos, ou seria mais do que isso: dispor dela para expressarmos nossos pensamentos? Bastaria o conhecimento passivo, ou esse conhecimento teria que ser ativo? E bastaria reconhecê-la na sua forma escrita, ou teríamos que ter também a habilidade de identifica-la na sua forma oral? E se a reconhecêssemos na sua forma oral, seria o bastante distingui-la quando pronunciada isoladamente e claramente, ou teríamos que ter a capacidade de interpreta-la quando pronunciada dentro de uma frase em velocidade normal de conversação, às vezes em meio a outros ruídos?

Por aqui já poderíamos concluir que a maioria de nós não tem um conceito claro do significado de “saber uma palavra”. Entretanto, existem ainda muitos outros argumentos para demonstrar que não se mede conhecimento nem fluência em línguas pelo número de palavras que se “sabe”.

    • Como classificaríamos por exemplo uma palavra como o verbo ficar do português  para o qul podemos facilmente encontrar uma dezena de significados? Saber apenas um ou dois dos significados seria “conhecer” o verbo?

Conclusão:

 

Podemos concluir, portanto, que é praticamente impossível quantificar vocabulário, e podemos também inferir que habilidade (fluência) em línguas não está diretamente relacionada a simples familiaridade com vocabulário.

Só a estruturação gramatical da língua, isto é, a forma como o pensamento é estruturado, já é tão ou mais importante do que seu vocabulário. Uma coleção de palavras nunca chegará a formar uma língua. São necessárias as regras do jogo além das peças.

Línguas são fenômenos complexos que incluem também fonética, morfologia, sintaxe, cultura, etc. “Linguagem é um sistema de representação cognitiva do universo pelo qual as pessoas constroem suas relações”, como colocou uma freqüentadora do nosso site. Sistema esse, moldado pela identidade cultural de cada nação.

Se fosse possível quantificar conhecimento sobre vocabulário, poderíamos nos arriscar a dizer que plena proficiência em um idioma estrangeiro, ou seja, fluência, depende 80/90% de pronúncia, 70/80% de gramática e talvez 10/20% de vocabulário (apenas 5% segundo Hammerly, considerando-se todas as palavras existentes no dicionário).

Portanto, habilidade em línguas não está diretamente relacionada simplesmente a familiaridade com vocabulário e, por esta razão, vocabulário não deve ser colocado como a grande prioridade durante a fase inicial do aprendizado. Vocabulário tende a ser mais facilmente assimilado à medida em que o aprendiz familiariza-se com a estrutura gramatical da língua e mais corretamente assimilado à medida em que se familiariza com a pronúncia da língua.

Além disso, o ensino de vocabulário não deve ser predeterminado e dirigido, mas sim deve seguir um desenvolvimento naturalmente direcionado aos interesses do aprendiz e que progride na medida em que há contato com a língua em situações reais de comunicação.

 

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