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Lendas e Tradições

Por René Fragoso

Tudo na Maçonaria, quando não é palpite ou lenda popularesca, deve ter uma explicação racional e histórica.
Simbolicamente (a partir do séc XVIII) a confraria utiliza os afazeres e instrumentos de ofício dos canteiros medievais e faz uma recriação erudita de antigos mistérios aliados à Cultura judaico-cristã , mais a contribuição do Iluminismo.
Daí a importância de se destacar os referenciais próprios para não haver confusão na ritualística, alegorias, etc… , para não haver intemporalidade e sincretismo.

É comum profanos fazerem referência à figura do bode na maçonaria (com sentido demoníaco), aludindo a uma sociedade onde se vende a alma ao diabo. Para nós maçons é até prazeroso e engraçado quando escutamos tantas especulações mirabolantes sobre a maçonaria.
Fica-nos ainda aquele poético ar de mistério que antes a Ordem tinha. Hoje, outdoors anunciam conferências maçônicas.
Entretanto, por trás das inúmeras lendas que borbulham em torno da Maçonaria, a do “Bode”, como tantas outras, tem sua origem nos cultos pagãos das civilizações clássicas.

A figura do bode remonta às antigas civilizações mesopotâmicas ( símbolo de fertilidade e de vida, os arqueólogos encontraram várias estatuetas em sepulturas ), depois por práticas judaicas ( séc. XIII a.C ) e Grécia Arcaica , especificamente por volta do século VI a.C, quando verificou-se uma proliferação das chamadas religiões de mistérios, de caráter iniciático.
Dentre elas, uma teve enorme difusão : o culto de Dionísio, que passou a ser o núcleo da religiosidade órfica. Dionísio está ligado a ritos agrários, daí Messe e Messias no Cristianismo. O Senhor da Vinha.
Neste sentido é que, como práticas catárticas, incluía-se ritos de purificação pessoal e da comunidade ( pólis ).
Um destes ritos era o sacrifício, fora dos muros da cidade, de um bode. Para purificar a comunidade. Os oficiantes do rito se vestiam com pele de bode. Por isso que na tragédia grega o termo “vestir a pele” significava “encarnar” a personagem a ser representada. Persona , em grego, significa máscara.
Daí a expressão “bode expiatório”, que o catolicismo simboliza no Cristo crucificado (que tira os pecados do mundo); os teólogos devem ter se inspirado em Levítico 16-16 e 16-20 ).
Este (a expiação dos erros ) é apenas um dos significados.
Mas já na Antiguidade , o matemático Pitágoras de Samos, fundou na cidade de Crotona uma confraria científico-religiosa, substituindo na religiosidade órfica a figura de Dionísio pela da matemática, especificamente a Geometria.
O que Pitágoras fez foi racionalizar poemas épicos musicados (que segundo a tradição foram revelados a Orfeu). A tradição esotérica órfica colocava a vida humana como uma tragédia , não no sentido de desastre ou fatalidade, mas no sentido filosófico de livre-arbítrio.
Tragédia vem do grego : Tragos + Otos (literalmente: caminho do bode).
Falamos aqui do bode montanhês, que deve “calcular” muito bem seus passos para não cair no precipício.
A vida humana possui dificuldades, tentações e dores; mas devemos insistir na purificação e na busca da Luz. Como o bode, que apesar do precipício, insiste em seu caminhar.
É devido a esta tradição que existem as viagens iniciáticas do neófito e a meditação na Câmara das Reflexões. O caminhar do “bode” deve ser em esquadria para não errar os passos.
Os termos “bode novo”, “bode velho”, “montar o bode” (prática antiga, não saberia dizer se ainda utilizada no R.E.A.A , talvez em algumas LL:.) têm aí sua origem histórica.
E a questão não tem nada a ver se o bode é preto, branco, cinza….
Filosóficamente: bode, nesta vida, todos somos. Devemos ter cuidado em não andar com “passos incertos” e cair em precipícios morais.

O BODE NA MAÇONARIA
Por José Castellani

Dentro da nossa organização, muitos desconhecem o nosso apelido de bode. A origem desta denominação data do ano de 1808. Porém, para saber do seu significado temos necessidade de voltarmos no tempo. Por volta do III ano d.C. vários Apóstolos saíram para o mundo a fim de divulgar o cristianismo. Alguns foram para o lado judaico da Palestina. E lá, curiosamente, notaram que era comum ver um judeu falando ao ouvido de um bode, animal muito comum naquela região. Procurando saber o porquê daquele monologo foi difícil obter resposta. Ninguém dava informação, com isso aumentava ainda mais a curiosidade dos representantes cristãos, em relação aquele fato. Até que Paulo, o Apóstolo, conversando com um Rabino de uma aldeia, foi informado que aquele ritual era usado para expiação dos erros. Fazia parte da cultura daquele povo, contar alguém da sua confiança, quando cometia, mesmo escondido, as suas faltas, ficaria mais aliviado junto a sua consciência, pois estaria dividindo o sentimento ou problema.
Mas por que bode? Quis saber Paulo. É por­que o bode é seu confidente. Como o bode nado fala, o confesso fica ainda mais seguro de que seus segredos serão mantidos, respondeu-lhe o Rabino. A Igreja, trinta e seis anos mais tarde, introduziu, no seu ritual, o confessionário, juntamente com o voto de silêncio por parte do padre confessor – nesse ponto a história não conta se foi o Apóstolo que levou a idéia aos seus superiores da Igreja, o certo é que ela faz bem à humanidade, aliado ao voto de silêncio, o povo passou a contar as suas faltas.
Voltemos em 1808, na França de Bonaparte, que após o golpe dos 18 Brumários, se apresentava como novo líder político daquele país. A Igreja, sempre oportunista, uniu-se a ele e começou a perseguir todas as instituições que não governo ou a Igreja. Assim a Maçonaria que era um fator pensante, teve seus direitos suspensos e seus Templos fechados; proibida de se reunir. Porém, irmãos de fibra na clandestinidade, se reuniram, tentando modificar a situação do país. Neste período, vários Maçons foram presos pela Igreja e submetidos a terríveis inquisições. Porém, ela nunca encontrou um covarde ou delator entre os Maçons. Chegando a ponto de um dos inquisidores dizer a seguinte frase a seu superior: – “Senhor este pessoal (Maçons) parece BODE, por mais que eu flagele não consigo arrancar-lhes nenhuma palavra”. Assim, a partir desta frase, todos os Maçons tinham, para os inquisidores, esta denominação: “BODE” – aquele que não fala, sabe guardar segredo.

A PARÁBOLA DO BODE PREGUIÇOSO
Por Samuel Freitas

Um fazendeiro querendo aumentar e melhorar seu rebanho, após escolher entre muitos adquiriu um lindo cabritinho ainda pequenino e o criou com todas as regalias, para que no futuro breve após crescer e receber as instruções e aprendizados necessários, o mesmo viesse a divertir seus filhos e sobrinhos. Após algum tempo o cabritinho se transformou num belo, lindo, dócil, forte e bem cuidado bode. Aí o fazendeiro mandou construir uma charretinha infantil para o mesmo, e assim as crianças pudessem brincar com o belo animal, passeando pelos jardins, quintal e pomar, em plena paz e harmonia com a natureza. Mas o bode não queria saber de trabalhar. Era super preguiçoso e fazia de tudo para esquivar-se do pouco trabalho que lhe era atribuído, se escondia, fugia, empacava, ficava de mal humor e dava coices. O fazendeiro fez tudo o que podia para que o bode trabalhasse, mas sem resultado algum.
Finalmente, desesperado, pediu conselhos ao vizinho, que era um verdadeiro mestre para lidar com estas situações.
– Você tem que oferecer a ele muito amor, compaixão e carinho – declarou o vizinho.
– Amor, compaixão e carinho? – exclamou o fazendeiro.
– Sim, isso mesmo – disse o vizinho, isso faz maravilhas.

Os dois se separaram, e o fazendeiro voltou para o bode. Depois de duas semanas, o fazendeiro acabou encontrando o vizinho que lhe dera sua opinião.
– Como vai o bode ? – perguntou o vizinho – está trabalhando agora ?
– Nem um pouco – respondeu o fazendeiro. – O que você sugeriu não fez diferença alguma.
– Deixe-me vê-lo – disse o vizinho.

E os dois foram encontrar o bode num estábulo ali perto. Quando o vizinho com toda sua experiência, aproximou-se do bode, pegou um cajado e, indo diretamente até onde ele estava, quebrou-a na cabeça do bode com uma forte pancada.
– Mas, – gaguejou o fazendeiro – , eu achei que você havia dito que eu tinha que usar amor, compaixão e carinho.
– Sim, disse o vizinho, um fazendeiro experiente. – Mas, primeiro, você chama a atenção dele. Se isso não for suficiente, tente mais duas vezes, e se nada resolver descarte-o pois assim ele não estragará o seu rebanho. E numa próxima vez analise melhor para uma escolha positiva, pois de nada adianta criar e educar se não tens a participação necessária.

A lenda contada pelos Templários

No processo movido contra a Ordem do Templo, foi muito comentada a existência de um certo ídolo ao qual eram atribuídos poderes sobre-humanos. Esse ídolo, com o qual os gnósticos reapresentavam o Deus eterno ou o Grande todo, tinha uma cabeça barbuda. Foi por isso que os leigos e inimigos de má-fé da Ordem acusaram os Templários* (*Templários – Odem de Cavaleiros criada pela Igreja Católica que Lutavam nas Cruzadas em nome de Jesus para obrigar os povos de outras religiões a se converterem ao catolicismo e ao cristianismo) de adorarem a cabeça de um bode. É claro que eles ignoravam que, desde os princípios mais remotos, a barba era considerada um símbolo de majestade, de paternidade e de força geratriz. Chamavam a este símbolo de “Bafometh”, palavra que em ocultismo significa “Batismo de Sabedoria”. Este símbolo, juntamente com o Galo, eram apresentados ao candidato durante a cerimônia de iniciação. Bafometh, para mostrar-lhe o novo Batismo como princípio de uma vida nova; e o Galo, ave que anuncia cantando o romper da aurora, para anunciar-lhe uma nova luz.
Em vários Templos pertencentes à Ordem, foram encontrados outros signos e emblemas inseridos em baixo-relevo, em figuras esculpidas e em desenhos geométricos.
Os Templos mais famosos da Ordem tinham as paredes e as colunas decoradas com vários símbolos gnósticos: o esquadro, o compasso, a régua, a esfera celeste, o pentagrama, o candelabro e muitos outros. Num monumento Templário da Alemanha foi encontrado um tabernáculo que é uma rara obra de arte. Na tampa vê-se esculpida uma imagem da Natureza representada pela deusa Isis, completamente desnuda. Numa das mãos sustenta o disco solar e na outra, o crescente da Lua; a seus pés uma caveira entre um pentagrama e uma estrela de seis pontas, representando o sistema planetário, e as sucessivas purificações da alma através das sete esferas celestes. Nas outras faces vêem-se várias alego­rias referentes às cerimônias da iniciação que representam as provas da terra, do ar, da água, do fogo. O pórtico do Templo contém um baixo-relevo do túmulo de Cristo, igual ao que existe na famosa catedral de Notre-Dame de Paris. Nas colunas vêem­-se outras representações das provas de iniciação, o Falo e os Ctéis cabalísticos e a cruz dos mistérios egípcios.

A VERDADE SOBRE O BAFOMETH DOS TEMPLÁRIOS

Quando o Papa Clemente V tomou conhecimento das declarações contidas nas inquisições aos prisioneiros Templários, sua atitude mudou drasticamente: de defensor, tornou-se um dos acusado­res; e até hoje não se sabe bem a razão de tal atitude. Buscaremos esclarecer parte de suas razões: A Santa Sé encontrava-se, por acordo entre o Papa Clemente V e o Rei Felipe IV, encravada em território francês, mais precisamente em Avignon e, por esta razão, encontrava-se na realidade prisioneira de Felipe IV que disso se aproveitou para intimidar o Papa, inclusive ameaçando-o de morte com o uso da força física.

Nada podendo fazer uma vez que se encontrava sob o jugo de Felipe, temendo pela própria vida, Clemente buscou ceder a seus caprichos. Porém esta não foi a única razão; a Santa Sé, mesmo prisioneira dentro do território francês (período este que mais tarde seria conhecido como o “Segundo Cativeiro da Babilônia”), ainda buscava protelar ou desconversar o Rei pois sabia que os intuitos reais eram vergonhosos e que iriam manchar não só a história da França, como também a de Roma, deixando uma nódoa vergonhosa na história do catolicismo; e o Papa, após ler os interrogatórios, muda drasticamente de atitude.
O que teria feito o Papa mudar tão de repente de atitude? Segundo consta, o Papa  Clemente ficou sabendo a verdadeira história de Bafometh que realmente o tinha assustado a ponto de fazê-lo condenar os Templários.
Mas qual era essa verdadeira história nunca comentada pela Igreja Católica e que até hoje permanece em segredo? Buscaremos erguer mais uma ponta do véu de Isis e contá-la.

1. Introdução

A perseguição, a proscrição e o preconceito são sinas que acompanham os buscadores da verdade desde o limiar dos tempos. Jesus, Apolônio de Thyana, Jacques de Molay, Paracelso, Agripa e Cagliostro foram mártires que desafiaram a ignorância, a superstição e a cobiça dos profanos em nome da verdade maior, enfrentando a dor e o descaso para que ás gerações futuras pudessem compreender a obra do GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO e, através da busca do DEUS INTERIOR, evoluir.
A IGREJA CATÓLICA utilizou-se dos mais absurdos argumentos para perseguir, torturar, executar e espoliar as riquezas de milhares de inocentes e ao mesmo tempo tentava desesperadamente calar aqueles que realmente haviam encontrado a chave dos grandes mistérios, proscrevendo os DRUIDAS, CÁTAROS, MAÇONS e os TEMPLÁRIOS, sob o pretexto de serem adoradores do diabo.
Enquanto os CÁTAROS viram o fim de seu império em 1224, com a tomada da fortaleza de Montségur, nos Pireneus, os CAVALEIROS TEMPLÁRIOS conseguiram, salvar os ensinamentos da Ordem pelos esforços de Jacques de Molay (1º Grão Mestre da Ordem dos Templários) que mesmo capturado do fundo de sua prisão, criou quatro lojas: em Nápoles, para o Oriente; em Edimburgo, para o Ocidente, a qual mais tarde foi transferida para Tomar, em Portugal: em Estocolmo, para o Norte e em Paris, para o Sul, sob a denominação de MAÇONARIA OCULTA.

Os pretextos utilizados pelo alto clero sob a influência de FELIPE IV (também intitulado “Felipe, o BELO”) eram que os CAVALEIROS DO TEMPLO praticavam a sodomia, escarravam sobre o Cristo, renegavam a Deus, conversavam com um grande gato negro, copulavam com diabos e, acima de tudo, re­conheciam o símbolo pateístico dos grandes Mestres em Magia negra, prestando honras divinas ao Ídolo monstruoso de Bafometh que, para a Igreja Católica, também representava Maomé ( Fundador do Islã), a quem os Templários foram acusados de venerar.

2. Significado

Os Cavaleiros da Ordem do Tempo realmente saudavam uma figura híbrida composta da união de diversos pentáculos, cujo nome popular de Bafometh ainda é capaz de levar ao desespero a grande maioria dos profanos por ignorarem seu senti­do cabalístico.
O nome Bafometh escrito na sua forma original, BAPHOMET, deve ser lido em sentido inverso, como todo cabalista o faria na língua do fogo.
Obteremos, dessa forma:
TEMOHPAB — que oculta;
TEMOHP-AB — três abreviações chaves para a expressão:
Templi Omnium, Hominium Pacis Abbas, que significa:
O Pai do Templo, Paz Universal dos Homens, ou seja, O CRISTO CÓSMICO.

3. Simbolismo

A figura do andrógino mágico servia a três propósitos:
1. Amedrontar e afastar os profanos do reduto sagrado do Templo;
2.Testar a coragem e o conhecimento de novos cavaleiros, evitando que os covardes supersticiosos se infiltrassem na Ordem;
3.Velar o simbolismo sagrado aos olhos do leigo.
A figura do Bafomé, ou melhor, BAPHOMET, nada mais é que uma esfinge, ou seja, uma combinação de animais com a figura humana, diferindo do Bode de Mendes por apresentar um facho luminoso entre seus chifres — formando a letra hebraica SHIN, símbolo do equilíbrio divino entre as forças OD (força ativa) e OB (força passiva), por AOUR (força equilibrante).
Outra diferença entre o Baphomet dos Templários e o Bode de Sabat negro é o pentagrama ou a Estrela Flamejante dos Maçons (e não o pentagrama invertido) entre seus olhos o que é, por si só, um símbolo de magia branca.A cabeça reúne caracteres de cão, burro e touro, e assemelha-se a um bode. Representa a mente do homem materialista e embrutecida (hoje a ciência se diz descobridora da mente triádica); geradora de todos os egos que devemos dissolver a fim de conhecermos nosso Eu Divino.
A parte inferior está coberta, representando os mistérios da oração universal, indicada somente pelo caduceu que está no lugar do órgão gerador, simbolizando a vida eterna. O ventre coberto de escamas representa a água; as penas que sobem até o peito, representam o volátil; o círculo em que está sentado, representa a atmosfera; os seios são de mulher trazendo assim, da humanidade, os sinais de redentores da maternidade e do trabalho.Ele se senta num cubo, símbolo da pe­dra filosofal e da cruz de Hermes; suas pernas são as de um bode cujos fortes cascos podem levá-lo a pontos de difícil acesso e a alturas descomunais. Suas asas angelicais expressam a capacidade de elevação espiritual (Asiah, Jerisah, Briah, Aziluth). Seus chifres são um antigo símbolo de sabedoria e divindade, análogos aos de Moisés e o facho luminoso traz a luz do Salva­dor, Jesus Cristo.
Cabe lembrar que, na Judéia, dois bodes eram consagra­dos: um puro, outro impuro, sendo o puro sacrificado enquanto o outro era mandado para o deserto inóspito, para a expiação de seus pecados, a fim de reconquistar a liberdade. Esta alegoria é análoga à do exílio da Capela, à expulsão de Adão do Paraíso e à promessa de redenção feita com a vinda do Cristo, razão pela qual os gnósticos também devam ao Cristo libertador a figura do bode.

4. Conclusão

Esta figura tão “monstruosa e temida” até nossos dias, não passa de um hieróglifo que não difere muito das esfinges do Egito e da Pérsia, sendo também análoga à visão de Ezequiel. É, pois a representação do Grande Arcano Mágico, um enigma de­cifrado para o iniciado, cuja compreensão da Grande Obra de Deus é, sempre foi e sempre será motivo de pânico e desconfiança aos olhos do mundo profano.
Esta é a verdadeira simbologia a respeito da figura venera­da pelos Templários que tanto fez o Papa Clemente V tremer, e que ao saber dela, da veneração Templária e de como os Cavaleiros Templários a decifram, viu a necessidade de condená-los e de extingui-los para que essa verdade não saísse da Santa Sé.
No entanto, existem outras lendas que carregam alguma verdade e que também fazem o Papa tremer; uma delas fala da própria origem de Bafometh e uma outra explica as verdadeiras origens de Cristo, segunda a versão Templária.
A primeira conta que um certo jovem, filho de uma nobre família da cidade de Cidon, na Fenícia, amava apaixonadamente uma jovem que veio a falecer antes mesmo que o jovem a conquistasse. Louco de amor e cheio de desejos, certa noite o jo­vem apaixonado invadiu o túmulo de sua amada e, com a mente transtornada, abriu o túmulo e saciou sua paixão sobre o cadáver da infeliz. Neste instante o jovem fidalgo ouviu uma voz misteriosa que lhe dizia: “Volte aqui decorridos nove meses e encontrarás o fruto do crime hediondo que acabas de praticar.” Na data fixada o jovem voltou ao túmulo e levantou a tampa. Com surpresa viu uma “cabeça barbada” que recolheu e levou consigo. Esta cabeça era dotada de poderes estranhos, entre os quais o de proferir oráculos sobre o passado, o presente e o futuro.
Para o mundo profano, a lenda contada pelos Templários nada mais é do que o relato repugnante de um necrófago, mas para os iniciados familiarizados com interpretações simbólicas e esotéricas dos mistérios íniciáticos, a lenda da “Cabeça Misteriosa” encerra um tema muito profundo. Os iniciados sabem, por exemplo, que a virgem violentada representa a deusa Isis, e re­conhecem na lenda a eterna alegoria dos “amantes de Isis”.
Aquele que ousa erguer o véu de Isis e interpretar com sabedoria e inteligência seus segredos e mistérios, obterá o batismo da Sabedoria e será superior em Glória, Poder e Força.
Esta alegoria é velha como o tempo, e é a mãe de todas as alegorias esotéricas, entre as quais figura a alegoria da Arvore do conhecimento cujos frutos, uma vez colhidos, farão do iniciado que os comer, um deus. Finalmente, os iniciados nos mistérios de Isis reconhecem na lenda a fórmula esotérica muito usada pelos alquimistas: “A primeira matéria recolhe-se no sexo de Isis”.
O castelo medieval de Gisors, última sede-fortaleza da Ordem do Templo, é um livro simbólico cheio de sabedoria para aqueles que souberem ler e interpretar. A respeito desse castelo, eminentes historiadores já escreveram inúmeras obras e mui­tas outras poderiam ainda ser escritas sem que o assunto se esgote.
Entre as inscrições misteriosas ( em latim arcaico) que se encontram no interior do castelo e da igreja de Gisors, vêem-se estas:
— Ísís Iaces in Vu/cain Sinu Fe/ice Emissa Es Ei/lis, ou seja:
“Ísis: estás oculta no VEXIM, enviada, felizmente, por teus filhos”.
— Quo Sidere Temp/um Ortum Esse Euam Rosa Spirare. Qua Docte Procedis in Corpore Isidis, ou seja:
“Que a Constelação foi Engendrada pelo Templo e que A Rosa é Preciso Aspirar. Se Fores Cauteloso Caminharás Sabiamente Sobre o Corpo de Ísis.’’
Estas informações e conhecimentos, para um profano, são por demais espantosas, causando quase temor, mas interpreta­das por iniciados, causam verdadeiras felicidades e trazem conhecimentos que o Papa não admitia serem propalados.
Colab: Ir.’. Weber Varrasquim, 33º

Campo Grande – MS – Brasil

Abril 2.004 E.’.V.’.
adaptado de Príncipe Asklépius D’Sparta – Editora Madras

 

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