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Movido Pela Consciência. “O Espírito em sua essência é livre”

“O Espírito em sua essência é livre”

O Apóstolo São Paulo, embaixador de Cristo e organizador do cristianismo, deixou um rico princípio em sua carta à igreja de Deus na Galácia, na qual todo cristão deve atentar, o que é de ser movido pela consciência.
Mover-se pela consciência é uma virtude que todo cristão deve ter como regra de vida, sua motivação em relação à consciência deve ser firme e constante até o fim, afinal essa é uma prática do bem; agir pela consciência.
Ao lermos a carta do Apóstolo São Paulo, entende-se com clareza sua preocupação com os cristãos que ainda viviam presos nos atos sacrificais e ritualísticos da antiga religião judaica. Aqueles que se converteram ao cristianismo estavam envolvidos na atmosfera de cegueira religiosa judaica, que tinha por característica principal o seu lado simbólico e ritualístico de ser; não diferente dos dias de hoje em que, na sua maioria, os cristãos vivem sob influência de leis e não são movidos pela sua consciência.
O Apóstolo São Paulo vendo isso escreveu o seguinte pensamento em Gálatas 5:25 “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito”. Nesta situação vemos a questão inteligível do Espírito, ele está intimamente relacionado com o movimento viver e andar no Espírito, segundo o texto do Apóstolo São Paulo relaciona -se com o mover da razão em si mesma.
O Espírito em sua essência é livre, e a razão uma vez regenerada não pode se prender as paixões dogmatizadas das formas religiosas.
Fomos libertos, e uma vez livres jamais podemos nos tornar escravos novamente. Essa ideia de liberdade, o Apóstolo São Paulo, expressa muito bem e com clareza em Gálatas 5:1 quando diz: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo de escravidão”, ou seja, não tem mais necessidade, não tem mais utilidade viver segundo o domínio das paixões religiosas que são consideras por ele como uma forma carnal de viver.
Inteligência e total liberdade são características do Espírito em nosso Espírito, e através da razão temos consciência de nossa limitação e partimos para a consciência do ilimitado pela própria razão.
Liberdade é a essência do Espírito, é a sua forma, e o Apóstolo São Paulo em sua sabedoria diz que a liberdade é um chamamento. O texto de Gálatas 5:13 nos mostra isso, “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade”.
Há um duplo conceito do Espírito que é o acolhimento, e o dom do Espírito; O acolhimento é a essência do ser em nosso ser como o Apóstolo São Paulo diz viver no Espírito, e o dom do Espírito como parte pneumática (movimento) da questão, o movimento do Espírito em nosso Espírito que faz de nossa razão, uma razão que era limitada em suas paixões, a se tornar ilimitada pelo mover iluminador do Espírito de Deus.
Não devemos esquecer que a vida no Espírito, na questão intelectiva, tem por função uma forma contemplativa de se expressar, ela busca em sua raiz, que é Deus, a fonte para alimentar sua liberdade, já que o Espírito é livre em si, e quando Ele permanece preso, é sinal que não está naquele presente momento alimentando-se de sua própria origem, tornando assim, o homem um ser cego, encarcerado pelas suas paixões e dominado pela irracionalidade de seus atos.
O cristão não deve se prender às praticas religiosas simbólicas e ritualísticas, mas sim, ao Espírito da lei que está na consciência.
Essa é a essência do cristianismo, que o homem uma vez alcançado pelo evangelho, às boas novas, não seja mais preso em leis humanas, mas sim, pela lei espiritual; a lei do Espírito que está em sua própria consciência. Isso é viver e andar no Espírito; é ter uma vida iluminada pela Escritura Sagrada e deixar com que ela o conduza por toda a vida.
Em Gálatas 3:24 o Apóstolo São Paulo diz: De maneira que a lei nos serviu de aio (guia), para nos conduzir a Cristo, para que, pela fé, fôssemos justificados.
As pessoas caem em um erro muito grande ao dizerem que a fé não é algo racional, e sim, manifestação emotiva; ao observar a racionalidade da fé na carta aos Hebreus 11:1 que diz: “Ora a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. O texto mostra a pura racionalidade da fé bíblica que não é apoiada em objetos para que exista, mas é totalmente racional e metafísica em sua manifestação.
Um exemplo de contato com a fé racional bíblica foi Martinho Lutero, o monge Católico Agostiniano, que cansado de viver de forma metódica e religiosa à vida cristã, antes de questionar a Igreja, questionou a si mesmo.
A história nos conta que ele era um homem cheio de conflitos interiores, um religioso que vivia sobre regras, porém, sua consciência o acusava dia e noite até o momento em que ele descobriu que o cristianismo não era uma religião de regras e sim, um estilo de vida pela qual só teria êxito se fosse praticado por meio da fé; daí então o jovem monge libertou-se de toda forma legalista de viver quando teve contato com o texto de Romanos 1:17 que o Apóstolo São Paulo diz: Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.
Martinho Lutero saiu da escravidão da lei e experimentou o Espírito da lei que é algo totalmente distinto em sua natureza.
A lei humana leva o homem a ser condenado, e o seu salário é a morte em todos os sentidos: físico, psíquico e espiritual. Por outro lado, a lei do Espírito salva o homem da morte e o leva a liberdade e plena paz consigo mesmo e com o seu Criador.
O propósito da lei é condenar o homem e não absolvê-lo, porque se existe lei é sinal que existem pessoas que as transgridem com seus atos. Somos transgressores por natureza. O pecado é mais do que um ato em si, ele é uma forma de vida que é totalmente reprovada pelo Criador.
Andar em Espírito é viver pela consciência, é uma espécie de lei interiorizada em nós que estão gravadas nas tábuas de nossas almas que um dia foram regeneradas e salvas pela palavra escrita chamada Cristo Jesus nosso Senhor.
A consciência é o órgão pela qual o homem tem contato com o mundo exterior, com o mundo interior e principalmente tem consciência de si mesmo com ser humano capaz de decidir, por si, seus atos.
A consciência é o órgão pela qual a ética cristã é estabelecida, local que estruturamos todos os conceitos. Jesus Cristo colocou em nossa mente através de suas palavras a lei divina, ela nos guia, nos dá vida, e nos faz possuidores de um comportamento ético ideal.
Viver pela consciência é não precisar que as pessoas nos digam o que devemos fazer, porque já estamos fazendo, é ser guiado pelo Espírito em todos os sentidos como o Apóstolo São Paulo nos mostra em sua carta aos Gálatas.
Se fugirmos deste princípio natural de viver, seremos anormais em nossa forma de agir, seremos contrários à nossa natureza regenerada, ou seja, o novo homem que habita em nós se move através de uma consciência livre de regras, dogmas e leis humanas que só servem para gerar morte.
Se quisermos viver, devemos fazer de nossa consciência o órgão único pela qual a nossa vida cristã comportamental deve se mover.
Ser livre é estar preso em uma consciência cheia da palavra de Deus, cheia da palavra escrita que é o próprio Cristo em nós. Ser movido pela consciência é um ato processual contínuo que ocorre durante toda a nossa vida cristã. É importante salientar que se mover pela consciência é uma decisão pessoal, um caminho estreito que poucos andam porque implica em renúncia da própria vontade, abrir mão de nossos desejos e lutar contra o nosso homem interior.
O texto sagrado diz assim em Mateus 16:24: “Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me”.Tudo é questão de inclinação e nossa vontade deve ser inclinada às coisas divinas, pois a consciência é algo divino, celeste, não pertencente a este mundo.
Quem pode falar com maior propriedade também do assunto é outro grande Apóstolo de Cristo, São Pedro, que nos dá um conselho em uma de suas cartas em 2 Pedro 1:4 que diz: “Pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo”.
São Pedro nos dá a ideia de que devemos nos tornar co-participantes da natureza divina, ou seja, para experimentarmos essa realidade é necessário que a nossa consciência seja regenerada, e uma vez regenerada ela deve ser inclinada a Deus, e em conseqüência disso, o Divino vai influenciando o nosso ser, a ponto de nosso caminhar tornar-se plenamente conduzido pela natureza Divina. Voltando no pensamento Paulino em Gálatas 5:25 “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito”.
Entrando na visão Aristotélica de Deus que é o motor imóvel que move todas as coisas podemos comparar esse grande motor a, não somente Deus em si, mas o movimentar de Deus em si mesmo, sendo assim, entendemos que Deus é um ser que além de mover todas as coisas, a sua essência em si é movimentar em si mesmo, Deus é um ser dinâmico que se movimenta em si, e em todo homem que experimentou uma regeneração em sua consciência.
À evidência do movimentar de Deus no homem dá-se o nome de unção, que nada mais é que o movimento do Espírito no interior do homem regenerado pelo Espírito; sua consciência se move dinamicamente fazendo com que essa pessoa experimente o movimento da consciência em sua vida; o que chamamos de unção, ou seja, o cristão possui o movimento do motor imóvel em seu interior e quanto mais ele der liberdade para isso através da sua vida de separação, e também da negação de sua vontade, mais ele vai experimentar uma vida livre e cheia de paz interior.
O Apóstolo São João relata de forma bem pura essa questão da característica da unção, e podemos observar seu pensamento na sua Epístola 1 João 2:27 que diz: “Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as cousas, e é verdadeira e não falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou”.
Podemos confirmar a ideia de ensinamento em que a consciência se propôs a realizar na vida do cristão, a consciência é a voz interior do altíssimo em nossas vidas. Ele, segundo o texto, nos ensina todas as coisas, devemos ser guiados por ela, andar segundo a sua orientação para que a nossa vida seja uma vida de plena paz e sucesso material em todos os sentidos possíveis. A unção que entendemos, que é o movimento do Espírito, tem por função levar o homem a ter mais comunhão com Deus e ter uma vida segundo o próprio Espírito, como nossa professora ela nos orienta no caminho que devemos andar, caminhos esses que aos olhos nus não vemos de imediato, mas como ela não está presente ao tempo, mas sim além do tempo, ela entra em nosso tempo e mostra os possíveis caminhos de vitória que podemos andar através de sua presciência, uma forte característica da unção é que ela é verdadeira, isenta de erros, e idéias falsas, e neste sentido podemos dizer que ela é uma realidade desde que, como já dissemos antes, demos a ela condições e liberdade para mover-se em nossas vidas.
Conhecer a Deus é uma ciência uma busca Metafísica, viver no Espírito é fazer algo conhecido pelo nosso intelecto regenerado algo praticável todos os dias, resumindo; é unir a prática com a teoria, tendo-as não como objetos separados, entretanto, como uma única coisa que possui em si qualidades diferentes, mas que a sós não conseguem agir, pois uma depende da outra.

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