Home / Artigos / O Verdadeiro Crime

O Verdadeiro Crime

Ao longo dos tempos a mídia tem construído uma definição do que é crime e quem são os criminosos.

Por exemplo: Crime é a mulher pobre e explorada reagir e matar o seu marido em legítima defesa. Crime é invadir uma área improdutiva para poder trabalhar e dar de comer a seus filhos. Ninguém chama de crime os desfalques de milhões de reais que somem dos bancos e são repostos pelo governo.

Quantos menores acabam presos na FEBEM, por exemplo, porque roubaram algo para comer? A partir desta primeira prisão estes menores são literalmente formados na escola do crime e acabam mortos ou condenados por muito tempo.

Mas ninguém chama de crime a concentração da terra e da renda. Ninguém chama de crime o salário mínimo que deixa milhões de pais de famílias em situação de desespero.

Há hoje, também, as definições de quem são os criminosos. São sempre pessoas individuais, os pivetes, os pobres, os favelados, os negros, os sem terras, os sem tetos. Mas… os desfalques de milhões passam em branco. Até parece que roubo no Brasil só vai até determinada quantia financeira. Daí para cima é escândalo e os responsáveis não são punidos.

Existe na realidade uma tremenda contradição. Este sistema econômico existente em nossa cidade, cria um exército de pessoas famintas, desempregadas, sem moradia e sem saúde. Se elas reagem são chamadas de anti-sociais.

Acompanhamos freqüentemente, motins nas penitenciárias brasileiras. Sabemos que os problemas de prisões; penitenciários, tem haver e muito com a distribuição da riqueza e de renda, tem haver com cada um de nós que as legitimamos e a reproduzimos.

Como humanistas e cristãos, não podemos ficar inertes e calados, diante desta atual realidade tão desumana,    cruel          e discriminatória.

E a justiça? O que de fato podemos esperar dela? Indubitavelmente a justiça entre os homens é o jugo dos fortes sobre as costas dos fracos. A lei é látego para o obediente e riso para o rebelde que a escapa. Quem rouba um pão é ladrão e a justiça o condena, porém, quem rouba ou desfalca milhões é um financista e o povo aplaude. Não há castigo para quem desonra a mulher, mas, a mulher que desonra o homem deve ser dilapidada. O rico devora o pobre e o forte consome o fraco. A lei vê tudo isso e se cala. Porquê?

Porque as leis morais e sociais são ditadas pelos fortes e de acordo com os seus próprios interesses.

Um poderoso jamais formou uma legislação que não servisse a suas próprias ambições. Estas são as leis que os homens escolheram para os homens, cujo conjunto sarcasticamente se chama justiça.

A erva absorve sua nutrição da terra; o jumento pasta a erva. O leão devora o jumento e, finalmente, o homem caça o leão. Que nome podemos dar à lei que autoriza a morte de irmãos e que portanto fabrica “CAINS” aos milhões?

É sem sombra de dúvidas a lei do demônio governando as criaturas de Deus.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *