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Um pingo é uma letra. Apóstolos de Cristo Doze Idiotas

Um pingo é uma letra. Idiota seis, exceto no plural. Exemplo: “doze idiotas” quando se refere aos apóstolos de Cristo

Na Grécia antiga fazia-se o contraste entre o koinón, equivalente ao público e o ídion, o equivalente ao privado.

Koinón – Movimento que colocava o bem comum acima de seus objetivos individuais. Tendo os interesses da pólis como prioridade, daí recebe a denominação de “polites” indivíduo que participava intensamente dos principais assuntos da pólis.

Político vem do grego politikos[1], que, por sua vez, se originou a partir da palavra polites.

Ídion – Era égide do idios, “homem privado”, afastado da gestão da coisa pública, comprometido com interesses próprios.

No núcleo de idiotes está idios, que tem o sentido de “próprio, particular, peculiar”. Etimologicamente, a palavra não carregava juízo de valor. Este termo, no entanto, se transformou em idiotes, para designar as pessoas que não exerciam nenhum tipo de trabalho público.

No século 15, o teólogo inglês John Capgrave se referira aos apóstolos de Cristo como “doze idiotas” não sendo apenado pela Inquisição.

Pejorativo

O termo idiota recebeu conotação depreciativa na segunda edição do dicionário Webster’s. Os autores admitiram que a palavra foi impressa de forma errônea. O esclarecimento não contribuiu para atenuar o estrago. Posteriormente, o vocábulo psiquiátrico aponta idiotia como sinônimo de “retardo mental grave”.

Atualmente o significado chegou ao conceito de “indivíduo ignorante”, “indivíduo com pouca inteligência”. No entanto, a palavra idiota chegou à língua portuguesa através do latim. Não houve nenhuma mudança gráfica entre o termo latino para o português.

Aos que tentam justificar sua “idiotice” afastando-se da vida pública com outro modo de fazer política, defendendo seus interesses de liberdade individual, afirma Mario Sergio Cortella[2]: “Vale lembrar que, para a própria sociedade grega, não haveria liberdade fora da política. O idiota não é livre porque toma conta do próprio nariz, pois só é livre aquele que se envolve na vida pública, na vida coletiva”

Idiota. De lá, para cá

A idiotia do conceito democrático, especialmente no período áureo ateniense, em relação a turba avessa que não sabe nem pelo que nem por porquê.

A diferença é que lá, ser idiota era resultado da opção e aqui do conhecimento limitado. Lá o idiota sabia o que era e aqui ele é, mas não sabe. Lá limite não é fronteira e aqui sinônimos de barreira.

Volvemos nossa atenção para cá. Notadamente constata-se que nossa gente tem muito a aprender sobre democracia. Pouco sabem os cidadãos comuns sobre direitos e deveres. Pensam que sabem, mas pouco ou quase nada compreendem dessa linguagem de processo histórico.

Numa sociedade, tal qual a contemporânea, voltada para a superficialidade de relações que se pautam na exaltação da estética e do consumo, reverter este quadro não é tarefa fácil. A empreitada depende empenho do interessado que, ao mesmo tempo e o próprio beneficiado.

A internet deve ser vista como uma mão estendida para desatar as amarras da alienação. Por outro lado, de pouca utilidade aos manetas segregados em redes sociais.

Estamos longe da conscientização que “política é coisa de idiota” é a noção invertida do conceito.

Se alguém disser que o vezo de atrelar política a idiotia é indiferente, digo que concordo. Agora, proceda desta forma em uma redação e veja o texto ir para cucuia, juntamente com a nota. E mais, dulia e latria tem sido motivo de intrigas religiosas. Culpa da interpretativa. Se é assim, e penso que é, evitar o uso deste chavão vetustamente contraditório não exige grande esforço.

“fallitur visio” – As aparências enganam. Por sorte nossa lingua é rica.

Sou idiota. Política não me atrai. – Torna-se a expressão adequada.

 Nada vem do nada – “De nihilo nihil” (Lucrécio)

Idiota que sabe

 Não existe idiota sábio. Existe idiota que sabe e que não sabe, o primeiro é idiota e sabe, o segundo é, mas não sabe. Deu para atinar?

1 «Origem da Palavra POLÍTICO». Dicionário Etimológico

2 «Política: para não ser idiota». Autor – Mario Sergio Cortella

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